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Mapa de incêndios em Portugal hoje
Focos de incêndio ativos em todo o Portugal detetados por satélite e atualizados a cada 15 minutos, incluindo a Madeira e os Açores.
Os incêndios florestais em Portugal
Portugal é, em proporção à sua área, o país mais afetado por incêndios florestais de toda a Europa. Entre 2000 e 2020 ardeu o equivalente a mais de um quarto do território continental, com 2003, 2005 e 2017 como os anos mais devastadores.
O ano de 2017 marcou um antes e um depois: Pedrógão Grande em junho, com 66 vítimas mortais, e a vaga de 15 de outubro, com mais de 500 incêndios simultâneos e mais 51 mortos. Nesse ano arderam mais de 500.000 hectares e o sistema nacional de gestão do fogo foi completamente reformado.
Os fatores estruturais são bem conhecidos: monocultura de eucalipto e pinheiro, minifúndio com propriedade muito fragmentada e frequentemente não registada, despovoamento do interior e acumulação de combustível sem gestão. A resposta institucional articula-se hoje através da ANEPC para a emergência e do ICNF para a gestão florestal.
Onde arde mais agora
Não há focos ativos detetados neste momento. É o normal fora dos episódios de incêndios.
Regiões de Portugal
Região Norte
A Região Norte é a região com mais incêndios florestais de toda a península ibérica em número absoluto de focos. A sua estrutura de propriedade — parcelas minúsculas, muitas delas sem dono identificado — torna praticamente impossível a gestão preventiva do combustível à escala da paisagem.
Região Centro
A Região Centro é a região mais castigada pelo fogo de toda a Europa ocidental. Aqui ocorreu Pedrógão Grande em junho de 2017, o incêndio que mudou a política florestal portuguesa e europeia, e aqui concentra-se a maior área ardida acumulada das últimas duas décadas.
Lisboa e Vale do Tejo
A região de Lisboa e Vale do Tejo combina a área metropolitana mais povoada do país com o interior florestal do Ribatejo e do Alto Tejo, onde a paisagem já se parece com a do Pinhal Interior e arde com a mesma severidade.
Alentejo
O Alentejo tem menos incêndios do que o norte do país, mas quando arde fá-lo sobre áreas muito grandes. O montado — o sistema agroflorestal de sobreiro e azinheira — é relativamente resistente ao fogo, mas o mato que cresce entre o arvoredo quando se abandona a exploração muda essa equação por completo.
Algarve
O Algarve concentra o seu risco numa faixa muito concreta: a Serra de Monchique e a Serra do Caldeirão, a norte da zona turística. A costa quase não arde, mas a serra interior sofreu dois dos maiores incêndios da história recente de Portugal.
Madeira
A Madeira é uma ilha montanhosa de encostas extremamente acentuadas, com núcleos urbanos encaixados entre o mar e a montanha. Essa geometria faz com que um incêndio na encosta alta ameace diretamente a cidade situada abaixo, como aconteceu no Funchal em 2016.
Açores
Os Açores são, de longe, a região com menor incidência de incêndios florestais de todo o território ibérico. O seu clima oceânico, com precipitação repartida ao longo do ano e humidade relativa quase sempre acima dos 75 %, mantém a vegetação num estado que raramente permite a propagação do fogo.
Autoridade competente
Emergências: 112. Autoridade de proteção civil: ANEPC. Estatística oficial de área ardida: ICNF.