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Portugal
Incêndios no Algarve hoje
O Algarve concentra o seu risco numa faixa muito concreta: a Serra de Monchique e a Serra do Caldeirão, a norte da zona turística. A costa quase não arde, mas a serra interior sofreu dois dos maiores incêndios da história recente de Portugal.
Porque arde assim
Monchique reúne todos os fatores adversos: declives muito acentuados, manchas contínuas de eucalipto plantadas após os incêndios anteriores, acessos escassos e um padrão de ventos que roda bruscamente quando entra a brisa marítima à tarde. O levante seco vindo do interior é o detonador habitual dos episódios severos.
Quando o risco é maior
De junho a setembro, coincidindo com a época turística alta. Os episódios mais perigosos chegam com massas de ar quente continental vindas do Alentejo e da Andaluzia.
O que está a arder
Eucalipto e pinheiro-bravo em Monchique, sobreiral e medronhal nas cotas médias — o medronho de Monchique é a base da aguardente local — e mato de esteva e urze no Caldeirão.
Zonas de maior risco
A Serra de Monchique concentra quase todo o risco: os concelhos de Monchique, Aljezur e Silves, com eucaliptal replantado após os incêndios anteriores, declives fortes e acessos escassos. A Serra do Caldeirão, entre Loulé, Tavira e São Brás de Alportel, acrescenta mato contínuo de esteva e urze.
Como ler o mapa aqui
Se estás de férias no Algarve, tem em conta que a distância entre a serra e a costa é curta: um incêndio em Monchique pode encher de fumo Portimão ou Lagos ainda que o fogo esteja a trinta quilómetros. O mapa mostra onde está o calor, não onde chega o fumo.
Grandes incêndios históricos
- 2018
Serra de Monchique
27 000 haO maior incêndio da Europa nesse ano. Ardeu durante oito dias em agosto, obrigou a evacuar Monchique e alcançou os arredores da vila termal das Caldas.
- 2003
Serra de Monchique e Barlavento
40 000 haParte do pior ano de incêndios da história de Portugal, com mais de 425.000 hectares ardidos em todo o país.
Autoridade competente
ANEPC · Comando Regional do Algarve
Outras regiões
Região Norte
A Região Norte é a região com mais incêndios florestais de toda a península ibérica em número absoluto de focos. A sua estrutura de propriedade — parcelas minúsculas, muitas delas sem dono identificado — torna praticamente impossível a gestão preventiva do combustível à escala da paisagem.
Região Centro
A Região Centro é a região mais castigada pelo fogo de toda a Europa ocidental. Aqui ocorreu Pedrógão Grande em junho de 2017, o incêndio que mudou a política florestal portuguesa e europeia, e aqui concentra-se a maior área ardida acumulada das últimas duas décadas.
Lisboa e Vale do Tejo
A região de Lisboa e Vale do Tejo combina a área metropolitana mais povoada do país com o interior florestal do Ribatejo e do Alto Tejo, onde a paisagem já se parece com a do Pinhal Interior e arde com a mesma severidade.
Alentejo
O Alentejo tem menos incêndios do que o norte do país, mas quando arde fá-lo sobre áreas muito grandes. O montado — o sistema agroflorestal de sobreiro e azinheira — é relativamente resistente ao fogo, mas o mato que cresce entre o arvoredo quando se abandona a exploração muda essa equação por completo.
Madeira
A Madeira é uma ilha montanhosa de encostas extremamente acentuadas, com núcleos urbanos encaixados entre o mar e a montanha. Essa geometria faz com que um incêndio na encosta alta ameace diretamente a cidade situada abaixo, como aconteceu no Funchal em 2016.
Açores
Os Açores são, de longe, a região com menor incidência de incêndios florestais de todo o território ibérico. O seu clima oceânico, com precipitação repartida ao longo do ano e humidade relativa quase sempre acima dos 75 %, mantém a vegetação num estado que raramente permite a propagação do fogo.