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Portugal
Incêndios no Região Centro hoje
A Região Centro é a região mais castigada pelo fogo de toda a Europa ocidental. Aqui ocorreu Pedrógão Grande em junho de 2017, o incêndio que mudou a política florestal portuguesa e europeia, e aqui concentra-se a maior área ardida acumulada das últimas duas décadas.
Porque arde assim
A combinação é especialmente perigosa: monocultura de eucalipto e pinheiro sem descontinuidades, relevo de vales profundos e estreitos que canalizam o fogo, aldeias dispersas ligadas por estradas estreitas e um despovoamento rural que deixou o combustível acumular-se sem gestão durante décadas.
Quando o risco é maior
De junho a outubro. Pedrógão Grande ocorreu a 17 de junho, um lembrete de que os episódios mais severos podem chegar antes de o verão começar formalmente.
O que está a arder
Eucalipto em extensões contínuas de milhares de hectares, pinheiro-bravo na Serra da Lousã e no Pinhal Interior, e mato de urze e tojo no sub-bosque. A densidade de biomassa por hectare é das mais altas do sul da Europa.
Zonas de maior risco
O Pinhal Interior é a zona mais crítica de Portugal: Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pera, Sertã e Oleiros, com vales estreitos que canalizam o fogo e estradas de via única. Junta a Serra da Lousã, a Serra da Estrela e a zona de Sever do Vouga e Arganil, todas com eucaliptal contínuo.
Como ler o mapa aqui
Nos vales encaixados do Pinhal Interior, o fogo pode correr pela encosta oposta à que vês marcada, fora da linha de vista. Nunca uses a posição dos focos para decidir uma rota de evacuação: liga 112 e segue as indicações das autoridades.
Grandes incêndios históricos
- 2017
Pedrógão Grande
45 000 haO incêndio mais letal da história da Europa ocidental: 66 mortos, a maioria apanhados nos seus carros na estrada N-236. Gerou um downburst que multiplicou a velocidade de propagação em todas as direções ao mesmo tempo.
- 2017
Lousã e Sertã (outubro)
90 000 haParte da vaga de outubro de 2017, que voltou a atingir uma região que já tinha ardido quatro meses antes.
Autoridade competente
ANEPC · Comando Regional do Centro
Outras regiões
Região Norte
A Região Norte é a região com mais incêndios florestais de toda a península ibérica em número absoluto de focos. A sua estrutura de propriedade — parcelas minúsculas, muitas delas sem dono identificado — torna praticamente impossível a gestão preventiva do combustível à escala da paisagem.
Lisboa e Vale do Tejo
A região de Lisboa e Vale do Tejo combina a área metropolitana mais povoada do país com o interior florestal do Ribatejo e do Alto Tejo, onde a paisagem já se parece com a do Pinhal Interior e arde com a mesma severidade.
Alentejo
O Alentejo tem menos incêndios do que o norte do país, mas quando arde fá-lo sobre áreas muito grandes. O montado — o sistema agroflorestal de sobreiro e azinheira — é relativamente resistente ao fogo, mas o mato que cresce entre o arvoredo quando se abandona a exploração muda essa equação por completo.
Algarve
O Algarve concentra o seu risco numa faixa muito concreta: a Serra de Monchique e a Serra do Caldeirão, a norte da zona turística. A costa quase não arde, mas a serra interior sofreu dois dos maiores incêndios da história recente de Portugal.
Madeira
A Madeira é uma ilha montanhosa de encostas extremamente acentuadas, com núcleos urbanos encaixados entre o mar e a montanha. Essa geometria faz com que um incêndio na encosta alta ameace diretamente a cidade situada abaixo, como aconteceu no Funchal em 2016.
Açores
Os Açores são, de longe, a região com menor incidência de incêndios florestais de todo o território ibérico. O seu clima oceânico, com precipitação repartida ao longo do ano e humidade relativa quase sempre acima dos 75 %, mantém a vegetação num estado que raramente permite a propagação do fogo.