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Portugal
Incêndios no Alentejo hoje
O Alentejo tem menos incêndios do que o norte do país, mas quando arde fá-lo sobre áreas muito grandes. O montado — o sistema agroflorestal de sobreiro e azinheira — é relativamente resistente ao fogo, mas o mato que cresce entre o arvoredo quando se abandona a exploração muda essa equação por completo.
Porque arde assim
O clima é o mais continental e seco de Portugal, com máximas acima dos 40 °C durante semanas e uma seca estival prolongada. As grandes explorações e a baixa densidade populacional significam que os incêndios podem progredir muito antes de serem detetados a partir do solo.
Quando o risco é maior
De junho a setembro, com a janela mais longa do país pela duração da seca estival. Em anos secos, o risco mantém-se alto até bem entrado outubro.
O que está a arder
Montado de sobreiro (Quercus suber) e azinheira, com pasto e mato de esteva sob o arvoredo. No litoral alentejano e na Serra de Grândola surgem manchas de pinheiro-bravo e eucalipto.
Zonas de maior risco
O litoral alentejano — Odemira, Aljezur e a Serra de Grândola — é a zona de maior risco, com pinhal e eucaliptal junto a parques de campismo e aldeias turísticas. No interior, a Serra de São Mamede em Portalegre, que continua sem solução de continuidade na Serra de Gata estremenha, e a zona de Mértola e Serpa.
Como ler o mapa aqui
No Alentejo verás muitas deteções isoladas de curta duração entre junho e agosto: são queimadas de restolho após a colheita do cereal, uma prática agrícola habitual. Um foco que aparece uma só vez e não se repete na passagem seguinte quase nunca é um incêndio florestal.
Grandes incêndios históricos
- 2023
Odemira
8500 haUm incêndio de agosto no litoral alentejano que obrigou a evacuar parques de campismo e aldeias em plena época turística.
Autoridade competente
ANEPC · Comando Regional do Alentejo
Outras regiões
Região Norte
A Região Norte é a região com mais incêndios florestais de toda a península ibérica em número absoluto de focos. A sua estrutura de propriedade — parcelas minúsculas, muitas delas sem dono identificado — torna praticamente impossível a gestão preventiva do combustível à escala da paisagem.
Região Centro
A Região Centro é a região mais castigada pelo fogo de toda a Europa ocidental. Aqui ocorreu Pedrógão Grande em junho de 2017, o incêndio que mudou a política florestal portuguesa e europeia, e aqui concentra-se a maior área ardida acumulada das últimas duas décadas.
Lisboa e Vale do Tejo
A região de Lisboa e Vale do Tejo combina a área metropolitana mais povoada do país com o interior florestal do Ribatejo e do Alto Tejo, onde a paisagem já se parece com a do Pinhal Interior e arde com a mesma severidade.
Algarve
O Algarve concentra o seu risco numa faixa muito concreta: a Serra de Monchique e a Serra do Caldeirão, a norte da zona turística. A costa quase não arde, mas a serra interior sofreu dois dos maiores incêndios da história recente de Portugal.
Madeira
A Madeira é uma ilha montanhosa de encostas extremamente acentuadas, com núcleos urbanos encaixados entre o mar e a montanha. Essa geometria faz com que um incêndio na encosta alta ameace diretamente a cidade situada abaixo, como aconteceu no Funchal em 2016.
Açores
Os Açores são, de longe, a região com menor incidência de incêndios florestais de todo o território ibérico. O seu clima oceânico, com precipitação repartida ao longo do ano e humidade relativa quase sempre acima dos 75 %, mantém a vegetação num estado que raramente permite a propagação do fogo.