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Portugal

Incêndios no Região Norte hoje

A Região Norte é a região com mais incêndios florestais de toda a península ibérica em número absoluto de focos. A sua estrutura de propriedade — parcelas minúsculas, muitas delas sem dono identificado — torna praticamente impossível a gestão preventiva do combustível à escala da paisagem.

Área21 278 km²
Cobertura florestal71 %
Telefone de emergência112
Grandes incêndios históricos2
Dados meteorológicos indisponíveis

Porque arde assim

O padrão é o mesmo que na vizinha Galiza, com a qual partilha clima, espécies florestais e estrutura de propriedade: muitíssimos focos pequenos e simultâneos que saturam o dispositivo. As queimadas de mato para pasto e a limpeza de terrenos são a origem declarada mais frequente.

Quando o risco é maior

De julho a setembro, com um segundo aumento em outubro quando o outono chega seco. Outubro de 2017 demonstrou que a época se pode prolongar muito para além do verão meteorológico.

O que está a arder

Eucalipto e pinheiro-bravo (Pinus pinaster) nas cotas baixas e médias, com tojo, carqueja e urze como sub-bosque. No Gerês e na Serra do Alvão conservam-se carvalhais e mato de montanha de elevado valor ecológico.

Zonas de maior risco

O interior transmontano — Bragança, Vinhais, Chaves e Montalegre — e as serras do Alvão e Marão concentram os grandes incêndios. No litoral, os concelhos de Ponte de Lima, Arcos de Valdevez e Terras de Bouro combinam eucaliptal contínuo com aldeias dispersas. O Parque Nacional da Peneda-Gerês acrescenta valor ecológico ao risco.

Como ler o mapa aqui

A fronteira com a Galiza não significa nada para o fogo nem para o satélite. Este mapa cobre ambos os lados com os mesmos sensores, pelo que verás a continuidade real do episódio ainda que as estatísticas oficiais o separem por países.

Grandes incêndios históricos

  1. 2017

    Vaga de 15 de outubro de 2017

    220 000 ha

    Mais de 500 incêndios simultâneos num único dia, empurrados pelos ventos do furacão Ophelia. Morreram 51 pessoas e foi o pior dia de incêndios da história de Portugal em número de focos.

  2. 2016

    Serra do Gerês

    8000 ha

    Um incêndio no único parque nacional do país, sobre carvalhal e mato de altitude no Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Autoridade competente

ANEPC · Comando Regional do Norte

Outras regiões

Região Centro

A Região Centro é a região mais castigada pelo fogo de toda a Europa ocidental. Aqui ocorreu Pedrógão Grande em junho de 2017, o incêndio que mudou a política florestal portuguesa e europeia, e aqui concentra-se a maior área ardida acumulada das últimas duas décadas.

Lisboa e Vale do Tejo

A região de Lisboa e Vale do Tejo combina a área metropolitana mais povoada do país com o interior florestal do Ribatejo e do Alto Tejo, onde a paisagem já se parece com a do Pinhal Interior e arde com a mesma severidade.

Alentejo

O Alentejo tem menos incêndios do que o norte do país, mas quando arde fá-lo sobre áreas muito grandes. O montado — o sistema agroflorestal de sobreiro e azinheira — é relativamente resistente ao fogo, mas o mato que cresce entre o arvoredo quando se abandona a exploração muda essa equação por completo.

Algarve

O Algarve concentra o seu risco numa faixa muito concreta: a Serra de Monchique e a Serra do Caldeirão, a norte da zona turística. A costa quase não arde, mas a serra interior sofreu dois dos maiores incêndios da história recente de Portugal.

Madeira

A Madeira é uma ilha montanhosa de encostas extremamente acentuadas, com núcleos urbanos encaixados entre o mar e a montanha. Essa geometria faz com que um incêndio na encosta alta ameace diretamente a cidade situada abaixo, como aconteceu no Funchal em 2016.

Açores

Os Açores são, de longe, a região com menor incidência de incêndios florestais de todo o território ibérico. O seu clima oceânico, com precipitação repartida ao longo do ano e humidade relativa quase sempre acima dos 75 %, mantém a vegetação num estado que raramente permite a propagação do fogo.

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