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Portugal
Incêndios nos Açores hoje
Os Açores são, de longe, a região com menor incidência de incêndios florestais de todo o território ibérico. O seu clima oceânico, com precipitação repartida ao longo do ano e humidade relativa quase sempre acima dos 75 %, mantém a vegetação num estado que raramente permite a propagação do fogo.
Porque arde assim
Os poucos incêndios registados são de área muito reduzida e extinguem-se rapidamente. O risco limita-se a períodos anómalos de seca estival nas ilhas do grupo oriental, especialmente São Miguel e Santa Maria.
Quando o risco é maior
Julho e agosto, e apenas em anos excecionalmente secos. Na maioria dos anos não se regista qualquer incêndio de dimensão em todo o arquipélago.
O que está a arder
Pastagem permanente para pecuária na maior parte do território, com criptoméria (Cryptomeria japonica) como principal espécie florestal plantada e restos de laurissilva macaronésica nas zonas altas.
Zonas de maior risco
O risco, já de si baixo, limita-se ao grupo oriental: São Miguel e Santa Maria, nas zonas de pastagem e plantação de criptoméria da costa sul, e apenas durante verões excecionalmente secos. No resto do arquipélago a humidade atlântica mantém a vegetação fora de condições de propagação quase todo o ano.
Como ler o mapa aqui
Os Açores ficam a mais de 1.500 km da península, fora de qualquer enquadramento peninsular, pelo que os cobrimos com uma consulta por satélite dedicada. O normal e esperável é que este mapa não mostre nenhum foco no arquipélago: é um reflexo fiel da realidade, não uma falha.
Autoridade competente
Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores
Outras regiões
Região Norte
A Região Norte é a região com mais incêndios florestais de toda a península ibérica em número absoluto de focos. A sua estrutura de propriedade — parcelas minúsculas, muitas delas sem dono identificado — torna praticamente impossível a gestão preventiva do combustível à escala da paisagem.
Região Centro
A Região Centro é a região mais castigada pelo fogo de toda a Europa ocidental. Aqui ocorreu Pedrógão Grande em junho de 2017, o incêndio que mudou a política florestal portuguesa e europeia, e aqui concentra-se a maior área ardida acumulada das últimas duas décadas.
Lisboa e Vale do Tejo
A região de Lisboa e Vale do Tejo combina a área metropolitana mais povoada do país com o interior florestal do Ribatejo e do Alto Tejo, onde a paisagem já se parece com a do Pinhal Interior e arde com a mesma severidade.
Alentejo
O Alentejo tem menos incêndios do que o norte do país, mas quando arde fá-lo sobre áreas muito grandes. O montado — o sistema agroflorestal de sobreiro e azinheira — é relativamente resistente ao fogo, mas o mato que cresce entre o arvoredo quando se abandona a exploração muda essa equação por completo.
Algarve
O Algarve concentra o seu risco numa faixa muito concreta: a Serra de Monchique e a Serra do Caldeirão, a norte da zona turística. A costa quase não arde, mas a serra interior sofreu dois dos maiores incêndios da história recente de Portugal.
Madeira
A Madeira é uma ilha montanhosa de encostas extremamente acentuadas, com núcleos urbanos encaixados entre o mar e a montanha. Essa geometria faz com que um incêndio na encosta alta ameace diretamente a cidade situada abaixo, como aconteceu no Funchal em 2016.