Termos de deteção remota
Anomalia térmica: píxel cuja temperatura de brilho é significativamente superior à do seu ambiente. É o que o satélite realmente deteta, e não equivale necessariamente a um incêndio.
FRP (Fire Radiative Power): potência radiativa do fogo, medida em megawatts. Estima a energia que o incêndio liberta no instante da observação e correlaciona-se com a taxa de consumo de biomassa.
Temperatura de brilho: temperatura que teria um corpo negro que emitisse a mesma radiação que a superfície observada. Expressa-se em kelvin e é a grandeza bruta a partir da qual se detetam as anomalias.
NRT (Near Real-Time): modo de distribuição de dados em que a NASA publica as deteções entre uma e três horas após a passagem do satélite, sem esperar pelo processamento científico definitivo.
Nadir e bordo de varredura: o nadir é o ponto mesmo por baixo do satélite, onde o píxel tem o seu tamanho nominal de 375 metros. Nos bordos da varredura o píxel deforma-se e pode ultrapassar os 800 metros, degradando a precisão.
Termos de comportamento do fogo
Incêndio de sexta geração: incêndio tão intenso que gera a sua própria dinâmica atmosférica, com colunas convectivas capazes de colapsar e projetar fogo em todas as direções. Escapa por completo à capacidade de combate e obriga a retirar os meios. A Serra Bermeja em 2021 e Pedrógão Grande em 2017 são os casos ibéricos de referência.
Pirocúmulo: nuvem de desenvolvimento vertical formada pela coluna de fumo e calor de um grande incêndio. Quando colapsa gera ventos descendentes violentos que dispersam o fogo de forma imprevisível.
Fogo de copas: o que se propaga pela parte superior do arvoredo em vez de pelo solo. Avança muito mais depressa, gera fagulhas que saltam centenas de metros e é praticamente impossível de atacar diretamente.
Fagulha: fragmento de material incandescente transportado pela coluna convectiva que pode iniciar focos secundários a considerável distância da frente principal. É o mecanismo que faz um incêndio saltar aceiros e estradas.
Efeito föhn: aquecimento e secagem de uma massa de ar ao descer pela encosta de sotavento de uma montanha. É o mecanismo por trás do vento sul cantábrico e do terral de Málaga.
Termos operacionais e administrativos
Nível de operacionalidade ou de gravidade: escala com que as autoridades classificam um incêndio segundo a sua perigosidade potencial. Em Espanha vai do nível 0, sem risco para pessoas nem bens, ao nível 2, quando são necessários meios estatais extraordinários.
Perimetrado: o incêndio está rodeado por uma linha de defesa contínua, mas continua ativo no seu interior. Não significa extinto.
Dominado ou controlado: o fogo já não consegue progredir para além do perímetro estabelecido. Ainda requer vigilância e trabalhos de rescaldo.
Extinto: não resta nenhum ponto quente e o dispositivo é retirado. Entre o domínio e a extinção podem passar dias em incêndios grandes, porque os rescaldos em matéria orgânica profunda podem reativar-se.
ANEPC: Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, o organismo que coordena o combate a incêndios em Portugal. O ICNF é o responsável pela gestão florestal e pela estatística oficial de área ardida.