A carregar deteções…
Espanha
Incêndios em Comunidade de Madrid hoje
Madrid tem uma área florestal modesta mas uma exposição altíssima: centenas de urbanizações dispersas pela serra de Guadarrama e pela serra oeste colocam dezenas de milhares de pessoas em contacto direto com o monte. Aqui um incêndio de 500 hectares pode ter mais impacto social do que um de 5.000 numa zona despovoada.
Porque arde assim
A pressão humana é o fator dominante: a enorme afluência recreativa à serra multiplica as ignições acidentais, e as infraestruturas lineares — estradas, linhas elétricas, via-férrea — são uma origem recorrente de focos nos meses secos.
Quando o risco é maior
De junho a setembro, com o máximo na segunda quinzena de julho e em agosto, quando a serra combina temperaturas extremas com a máxima afluência de visitantes.
O que está a arder
Pinheiro-silvestre nas cotas altas do Guadarrama, pinheiro-manso e azinhal nas médias, e esteval e giestal na serra oeste, a zona onde se concentram os incêndios de maior área da comunidade.
Zonas de maior risco
A serra oeste é a zona de maior área ardida: Cadalso de los Vidrios, Cenicientos, San Martín de Valdeiglesias e Robledo de Chavela, com esteval e pinhal em declive. No norte, os arredores do Parque Nacional de Guadarrama e os pinhais de Cercedilla e Navacerrada, onde o risco é marcado pela enorme afluência de visitantes.
Como ler o mapa aqui
A ilha de calor urbana da capital não gera deteções de incêndio: o sensor procura anomalias térmicas muito localizadas e de alta temperatura, não superfícies temperadas extensas. Os focos que vires dentro da área metropolitana costumam ser incêndios de aterro ou de vegetação em terrenos baldios.
Grandes incêndios históricos
- 2019
Cadalso de los Vidrios
3000 haUm incêndio na serra oeste que obrigou a desalojar várias urbanizações e mostrou a vulnerabilidade da interface urbano-florestal madrilena.
Autoridade competente
Comunidade de Madrid · Corpo de Bombeiros
Outras regiões
Galiza
A Galiza concentra ano após ano o maior número de incêndios florestais de Espanha, ainda que nem sempre a maior área ardida. A combinação de um minifúndio florestal extremamente fragmentado, manchas de eucalipto e pinheiro de crescimento rápido e uma altíssima densidade de núcleos rurais dispersos faz com que aqui o fogo chegue às casas com uma facilidade sem equivalente no resto da península.
Castela e Leão
Castela e Leão é a comunidade mais extensa de Espanha e, desde 2022, a que sofreu os incêndios de maior área do país. O seu problema não é a frequência mas a escala: poucos incêndios, mas capazes de percorrer dezenas de milhares de hectares em dias com vento e temperaturas extremas.
Astúrias
As Astúrias são o melhor exemplo peninsular de que os incêndios florestais não são um fenómeno exclusivamente estival. Aqui a maior parte da área arde no inverno e início da primavera, quando o vento sul resseca o mato das encostas e as queimadas para regenerar pasto escapam ao controlo.
Andaluzia
A Andaluzia conta com o dispositivo contra incêndios mais veterano e numeroso de Espanha, o Plano INFOCA, e ainda assim concentra alguns dos incêndios tecnicamente mais complexos da Europa. A razão está nas suas serras litorais: declives fortes, manchas contínuas de pinhal e mato, e uma interface urbano-florestal densamente povoada.
Estremadura espanhola
A Estremadura espanhola combina duas paisagens de fogo muito distintas: o montado do sul e do centro, um sistema agroflorestal que arde com relativa lentidão, e as serras do norte de Cáceres, com manchas de pinheiro e mato em declive onde ocorrem os grandes incêndios da comunidade.
Canárias
As Canárias têm um regime de incêndios que não se parece com nenhum outro do território espanhol. O relevo extremo, com desníveis de mais de 3.000 metros em poucos quilómetros, gera comportamentos do fogo que os modelos peninsulares não preveem bem, e o isolamento insular limita muito a capacidade de reforço com meios externos.