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Espanha
Incêndios em Aragão hoje
Aragão vive marcado pelo cierzo, um vento de noroeste que sopra encaixado pelo vale do Ebro e que se pode manter durante dias a mais de 60 km/h. É o fator que transforma incêndios modestos em episódios de propagação rapidíssima e frentes muito alongadas.
Porque arde assim
O contraste altitudinal é enorme: desde os bosques ribeirinhos do Ebro a menos de 200 metros até aos 3.400 do Pirenéu. A faixa de risco real concentra-se nas serras pré-pirenaicas, no Sistema Ibérico de Teruel e no Maestrazgo, onde o pinhal é contínuo e o acesso difícil.
Quando o risco é maior
De junho a setembro. Os episódios de cierzo intenso coincidentes com onda de calor são a combinação que antecipa os incêndios mais severos.
O que está a arder
Pinheiro-de-alepo no vale e nas serras baixas, pinheiro-larício e silvestre no Sistema Ibérico, e azinhal e zimbral nas zonas semiáridas de Los Monegros, onde a vegetação é escassa mas extremamente seca.
Zonas de maior risco
A comarca de Calatayud e os arredores do Moncayo são os pontos mais fustigados pelo cierzo. Em Teruel, o Maestrazgo, a Serra de Albarracín e Gúdar-Javalambre concentram pinhal contínuo em altitude; e em Huesca, as serras pré-pirenaicas de Guara e a Peña Oroel, com acessos complicados para os meios terrestres.
Como ler o mapa aqui
Com cierzo forte, a coluna de fumo deita-se e alonga-se dezenas de quilómetros. O satélite deteta o calor da frente, não o fumo, pelo que a coluna que vês nas fotos pode estender-se muito para além dos pontos marcados no mapa.
Grandes incêndios históricos
- 2022
Ateca e Moncayo (Saragoça)
14 000 haDois incêndios simultâneos durante a onda de calor de julho, com o cierzo a complicar o combate na comarca de Calatayud.
Autoridade competente
Governo de Aragão · Ambiente
Outras regiões
Galiza
A Galiza concentra ano após ano o maior número de incêndios florestais de Espanha, ainda que nem sempre a maior área ardida. A combinação de um minifúndio florestal extremamente fragmentado, manchas de eucalipto e pinheiro de crescimento rápido e uma altíssima densidade de núcleos rurais dispersos faz com que aqui o fogo chegue às casas com uma facilidade sem equivalente no resto da península.
Castela e Leão
Castela e Leão é a comunidade mais extensa de Espanha e, desde 2022, a que sofreu os incêndios de maior área do país. O seu problema não é a frequência mas a escala: poucos incêndios, mas capazes de percorrer dezenas de milhares de hectares em dias com vento e temperaturas extremas.
Astúrias
As Astúrias são o melhor exemplo peninsular de que os incêndios florestais não são um fenómeno exclusivamente estival. Aqui a maior parte da área arde no inverno e início da primavera, quando o vento sul resseca o mato das encostas e as queimadas para regenerar pasto escapam ao controlo.
Andaluzia
A Andaluzia conta com o dispositivo contra incêndios mais veterano e numeroso de Espanha, o Plano INFOCA, e ainda assim concentra alguns dos incêndios tecnicamente mais complexos da Europa. A razão está nas suas serras litorais: declives fortes, manchas contínuas de pinhal e mato, e uma interface urbano-florestal densamente povoada.
Estremadura espanhola
A Estremadura espanhola combina duas paisagens de fogo muito distintas: o montado do sul e do centro, um sistema agroflorestal que arde com relativa lentidão, e as serras do norte de Cáceres, com manchas de pinheiro e mato em declive onde ocorrem os grandes incêndios da comunidade.
Canárias
As Canárias têm um regime de incêndios que não se parece com nenhum outro do território espanhol. O relevo extremo, com desníveis de mais de 3.000 metros em poucos quilómetros, gera comportamentos do fogo que os modelos peninsulares não preveem bem, e o isolamento insular limita muito a capacidade de reforço com meios externos.